Instituto Nacional de Economia Circular – INEC

A urgência do design sustentável

O Ecodesign incorpora critérios ambientais desde a concepção para reduzir a pegada ecológica ao longo de todo o ciclo de vida do produto 

Por Curadoria INEC e Onara Lima* 

 

Nunca se falou tanto em sustentabilidade como nas últimas três décadas. Não é para menos: os impactos negativos gerados por séculos de produção e consumo desenfreados, sustentados por um modelo de extração contínua de recursos naturais, colocam em xeque o próprio sistema econômico que os produziu. 

 

Com a democratização do debate em torno da “Sustentabilidade no século XXI”, governos, instituições, figuras de autoridade no tema apresentam abordagens quanto ao déficit nos aspectos de produção, consumo e desperdício. Esse crescente movimento vem propondo soluções que se enquadram ao momento atual, entre elas o Design para Sustentabilidade. 

 

Essa ideia apresenta possíveis caminhos e maneiras para colocar em prática a eficiência dos processos e produtos sustentáveis, levando em consideração todo o seu ciclo de vida. 

 

 

Em busca do design perfeito

Essa busca, por uma cultura projetual sustentável, vem permitindo o crescimento do design de sistemas e gestão de qualidade para projetar o uso eficiente de recursos e o pós-uso, como também, para projetar uma nova geração de serviços sustentáveis e bens comuns. 

 

O conceito mais avançado neste sentido é o Ecodesign, pensado pelo Mestre em Engenharia e Arquitetura no Instituto Politécnico de Milão, Ezio Manzini. 

 

Para ele, o Ecodesign consiste em “uma atividade de design que visa ligar o que é tecnicamente possível ao ecologicamente necessário, de modo a criar novas propostas cultural e socialmente aceitáveis”. 

 

Manzini não exclui a indústria do processo, mas defende o desenvolvimento de sistemas ecoeficientes para os níveis de pesquisa e produção. 

 

Essa busca por uma cultura projetual sustentável, vem permitindo o crescimento do design de sistemas e gestão de qualidade para projetar o uso eficiente de recursos e o pós-uso. 

 

E para sintetizar esse processo, Manzini desenvolveu três critérios para fundamentais para sustentar o Ecodesign: 

 

1º Consistência com os princípios fundamentais
Refere-se aos princípios éticos que devem fundamentar a relação entre as pessoas e a sociedade, como também, a relação entre as pessoas e o meio ambiente. 

2º Baixa intensidade de energia e material
Refere-se à ecoeficiência sistêmica, ou seja, a quantidade e qualidade dos recursos utilizados na produção dos resultados. 

3º Alto potencial regenerativo
Refere-se ao desenvolvimento de soluções integradas ao seu contexto de uso, ampliando os recursos ambientais e sociais disponíveis. Caracteriza a qualidade dos contextos de vida guiados por expectativas sociais em relação ao bem-estar sustentável. 

 

Um ponto de partida para a circularidade

A inovação voltada ao design para a sustentabilidade constitui um campo de pesquisa dedicado à busca de novas alternativas de produtos e processos capazes de minimizar os impactos gerados pelo modo de produção vigente. 

 

Nesse contexto, destaca-se o ecodesign, que propõe a incorporação de critérios ambientais desde as etapas iniciais de concepção e desenvolvimento, com o objetivo de reduzir a pegada ecológica em todas as fases do ciclo de vida do produto: da escolha das matérias-primas ao transporte, fabricação, distribuição, uso e descarte. 

 

O ideal é que o produto seja facilmente reciclável e tenha potencial para retornar à cadeia produtiva. E para que isso ocorra, é preciso ter em mente que a capacidade de circularidade de um produto deve ser definida desde o momento do seu design. 

 

 

*Onara Lima é Executiva de Sustentabilidade ESG e Diretora da ESG Advisory
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