Instituto Nacional de Economia Circular – INEC

Engenharia da sustentabilidade para um futuro resiliente

O avanço da transição energética depende de soluções baseadas no design circular inspirado na natureza

Por Onara Lima* 

A engenharia moderna tem um papel relevante na transformação, inovação de processos e materiais para promover um futuro mais resiliente e regenerativo. O que podemos chamar de inovabilidade.

Não há outra opção. O modelo econômico linear – que consiste em extrair, fabricar, consumir e descartar – envolve o uso intensivo de recursos naturais e cria uma pressão insustentável sobre o meio ambiente.

A sociedade está ciente desse fato e a mudança de modelo é vista como uma prioridade, afinal, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, ela abre caminho para o desenvolvimento de novos modelos de negócios, geração de empregos e otimização do uso de recursos naturais.

O século XXI trouxe consigo um progresso tecnológico sem precedentes, juntamente com crescentes desafios ambientais e sociais. A pressão sobre os recursos naturais, a escalada das mudanças climáticas e o ritmo acelerado da industrialização tornaram a sustentabilidade uma das prioridades globais mais urgentes. 

 

O papel da engenharia na criação de soluções

Como disciplina que impulsiona a inovação e o desenvolvimento, a engenharia agora carrega uma nova responsabilidade: projetar alternativas que, para além da eficiência e da rentabilidade, também sejam ambientalmente corretas e socialmente justas. 

O K-briq é um grande exempo de engenharia sustentáve, sendo o primeiro tijolo feito com material 90% reciclado a partir de resíduos de construção. (Divulgação)

O conceito de engenharia da sustentabilidade, portanto, está atrelado a um projeto técnico que abrange uma visão holística integrando proteção ambiental, estabilidade econômica e bem-estar humano.

A sustentabilidade não é mais uma discussão teórica, é uma necessidade global. Do aumento das temperaturas globais à poluição, à escassez de água e ao acúmulo de resíduos, as evidências apontam para a necessidade de soluções sustentáveis.

A combinação de práticas comerciais precárias e padrões de consumo ineficientes criou desequilíbrios ecológicos que ameaçam a resiliência dos ecossistemas e das sociedades.

Em resposta, cientistas, engenheiros e formuladores de políticas estão adotando cada vez mais abordagens sustentáveis ​​e circulares para garantir o uso responsável dos recursos e minimizar os danos ambientais. Essas abordagens se concentram na redução das emissões, na conservação de energia e na promoção de tecnologias mais limpas em todos os setores. 


Por um design que tenha como base a natureza

A Economia Circular elimina o desperdício e a poluição desde a sua concepção, mantém produtos e materiais em uso e aumenta a resiliência e a regeneração dos sistemas naturais.

A transição depende do design e de redesenhos circulares, que se inspiram na natureza para impulsionar resultados regenerativos, que considerem as sinergias entre soluções baseadas no design circular, e como essas soluções podem impulsionar a regeneração e apoiar a biodiversidade, contribuindo simultaneamente para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas. 

A Ambev já testou embalagens feitas a partir de resíduos do milho, matéria-prima proveniente da própria produção de cerveja. (Divulgação)

As soluções de engenharia para resiliência em uma Economia Circular focam no redesenho de produtos e processos para reutilização, reparo e reciclagem, visando minimizar o desperdício e o consumo de recursos.

As principais estratégias incluem a implementação da otimização de materiais orientada por IA, a adoção de tecnologias da Indústria para uma melhor gestão de recursos e o desenvolvimento de soluções baseadas na natureza. Essas abordagens aprimoram a eficiência operacional e constroem resiliência industrial por meio da criação de sistemas otimizados, sustentáveis ​​e adaptáveis. 


Abordagens a partir da engenharia sustentável 

Otimização do ciclo de vida do produto: projetando produtos para longevidade, reparabilidade, desmontagem e reciclabilidade.

Mapeamento sistêmico: o mapeamento dos fluxos de materiais, a reestruturação das cadeias de suprimentos visa criar sistemas locais de ciclo fechado.

Materiais e tecnologias avançadas: utilização de IA para seleção de materiais, biotecnologia para alternativas ecológicas e sensores inteligentes para manutenção preditiva.

Infraestrutura resiliente: desenvolvimento de sistemas hídricos, transformação de resíduos em recursos e energia renovável para garantir que os sistemas possam resistir a choques ambientais. Integração de sistemas naturais no planejamento urbano. 

Drones e Inteligência Artificial podem auxiliar na coleta de lixo ao identificar automaticamente áreas com resíduos, como propõe uma pesquisa da UERJ. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Em complemento ao cenário compartilhado e possíveis caminhos, a circularidade também pode ser potencializada com soluções baseadas na natureza, pensando de forma disruptiva para uma revisão sistemática.

A aplicabilidade do modelo de soluções baseadas na natureza e ferramentas ecológicas para uma sociedade circular, oferece exatamente essa abordagem, contribuindo para a proteção ambiental, lidando com múltiplos problemas ecossistêmicos e proporcionando benefícios multifuncionais.

É possível acompanhar diferentes estudos e aplicações de SbN que apoiam a transição para uma Economia Circular.

Um Engenheiro de Soluções Baseadas na Natureza (NbS, na sigla em inglês) para processos e produtos de Economia Circular se especializa na integração de ecossistemas naturais, como: pântanos, florestas e solo, em sistemas industriais, urbanos e agrícolas para fechar ciclos de recursos, minimizar o desperdício e regenerar o capital natural.

Essa função interdisciplinar combina engenharia tradicional com ecologia, química, biologia para criar sistemas sustentáveis ​​e resilientes que tratam água, gerenciam resíduos e produzem materiais conceitualmente focados no menor impacto socioambiental, integrado com a capacidade de gerar retorno financeiro, a partir de processos e produtos eficientes/sustentáveis.

Você já ouviu falar em “Green Works”? Essa conversa ficará para o próximo artigo. 



*Onara Lima é Executiva de Sustentabilidade ESG e Diretora da ESG Advisory
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